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Limites e Cia Ltda


Por que será que, a cada geração que passa, mais aumenta a dificuldade de impor limites às crianças? Dizer o quanto eles são importantes - não só para a vida em sociedade, como para a estruturação do indivíduo - embora seja chover no molhado, no entanto não deixa de ser verdade. Vivemos em um mundo onde as pessoas buscam sentir-se cada vez menos limitados e, de fato, a humanidade tem encontrado meios de superar diversas limitações. Há não muitos anos, viajar para outros países era um luxo para poucos e acontecia, no máximo, duas vezes ao ano. Hoje em dia, há quem mude de continente toda semana. As barreiras nos sistemas de comunicação quase não são mais impedimentos. Os avanços da medicina dão margem a pensar que tudo é possível, inclusive adiar o envelhecimento e a morte. Adultos também ficam seduzidos pela fantasia de que, com dinheiro, nada é inatingível. Assim, dar conta de nossas limitações é motivo de depressões profundas, principalmente se não aprendemos a lidar com elas desde que nascemos. No entanto o que quase não é dito é que, mesmo para crianças, achar que podem tudo, gera angústias inimagináveis. A fantasia e a realidade já estão constantemente emboladas. Acreditar que podem tudo significa conseguir satisfazer TODAS as suas vontades: tanto boas, quanto más. No pensamento infantil, “se ninguém consegue barrar o que eu desejo, o que acontece quando eu fico com muita raiva de alguém?” Ou seja, os pequenos se sentem muito poderosos, bem como, muito destrutivos. É bom lembrar que alguns dos maiores medos infantis passam por esse tema. Outro fator importante que dificulta essa tarefa fundamental é o fato de que gera sofrimento: não só nos filhos, como nos próprios pais. Não se pode esquecer que o sofrimento hoje é quase uma doença, que, ao sinal dos primeiros sintomas, deve ser combatida imediatamente com doses regulares de remédios. Resultado: o que dói fica sufocado e escondido não só aos olhos dos outros como aos de nós mesmos. Algumas mães veem essas pequenas doses de frustração como aqueles xaropes ruins necessários para que a gripe não se transforme em pneumonia. Já outras não conseguem suportá-las, pois remete a um gigantesco sofrimento próprio. No entanto, como sempre repete uma grande amiga, Mary Poppins já nos dizia: "just a spoonful of sugar helps the medicine go down" (uma colher cheia de açúcar ajuda o remédio a descer). Moral da história não é possível evitar que nossos filhos sofram. Dessa forma, cabe a nós estar ao lado deles para ajudá-los a suportar os limites que a vida lhes impõe.

Roberta Beczkowski é psicóloga formada pela PUC-RJ, especialista em teoria psicanalítica pelo IBMR e faz formação psicanalítica na APERJ (Rio 4). Atende em seu consultório crianças, adolescentes, adultos e casais além de ser supervisora da equipe de psicologia da creche Jardim Vovó Carmem e escola Dom Cipriano. Ela é terapeuta do Instituto Cultural Freud e faz parte da equipe de psicossomática da Santa Casa.

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